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Utilização da Água na Umbanda

Autor: Lara Lannes

Equipe Genuína Umbanda

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Sabemos que três quartas partes do globo, do planeta que habitamos, são cobertas por água; 86,9% do corpo humano é composto de água ou carboidratos; mais ou menos 70% de tudo que existe na Terra leva água, tornando-se desta forma o fator predominante da vida no Planeta. A ONU, haja vista a importância da água em nosso planeta, instituiu o dia da água e firmou a Declaração Universal dos Direitos da Água que, em seu artigo segundo, traz a importância desse elemento natural em nossa vida:

 

“Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 3º da Declaração dos Direitos do Homem.”

 

Por esta razão, a Umbanda não poderia deixar de utilizar como um dos seus principais elementos a água em seus trabalhos, possuindo essa uma função importantíssima e indispensável. Pode-se dizer que sem água não haveria Umbanda. Não é a toa que os preto-velhos costumam dizer: “Com um toco de vela e um copo d’água se resolve muita coisa.”

A água tem o poder de absorver, acumular ou descarregar qualquer vibração. Ela é, portanto, utilizada em trabalhos de cura, descarrego, limpeza, imantação, etc, por ser excelente captadora de energias, possuindo vibração ora positiva, ora negativa, dependendo do emprego que se faça dela. Na Umbanda, ela é utilizada, por exemplo, no amaci, no batismo, na quartinha, no copo de firmeza de Anjo de Guarda.

 

As águas em copos nas obrigações significam energia vital, e nos copos junto às velas de Anjo da Guarda ou atrás das portas de entrada, têm a finalidade de atrair para si as energias que por ali passam, atraídas pela Luz ou passando pela porta.

 

Os copos de água utilizados para estes fins devem ser descarregadas pelo menos de 7 em 7 dias, para não ficarem saturadas e perderão seu poder de absorção. Esta descarga deve ser feita em água corrente (na pia com a bica aberta, por exemplo), pois simboliza movimento, necessário para transportar as energias absorvidas por ela.

Segundo os conceitos africanistas, derramar água sobre a terra significa não só fecundá-la, mas também restituir-lhe seu sangue branco, alimentando-a e dando vida a tudo que nasce e cresce. Deitar água é iniciar e propiciar um ciclo. As águas de Oxalá pelas quais começa o ano litúrgico yorubá têm precisamente este significado.

 

É comum ao se chegar a uma entrada de uma casa de Candomblé vir uma filha da casa com uma quartinha com água e despejar esta água nos lados direito e esquerdo da pessoa que entra. Este ato é para acalmar Exu e também para despachar qualquer mal que por ventura possa estar acompanhando esta pessoa. Neste caso, a água entra como um escudo contra o mal.

Correlação dos Orixás com a água:

 

Obs: A correlação que se faz é com os Orixás femininos, uma vez que essas energias divinas é que são responsáveis diretas pela manipulação do elemento Água.

 

- Nanã: está associada à terra, à lama e também às águas. Nanã no antigo Daomé, é considerada como o ancestral feminino dos povos fons;

 - Oxum: é dona dos rios e das cachoeiras, tem toda a sua história ligada às águas, pois na Nigéria, Oxum é a divindade do rio que recebe o mesmo nome do orixá;

 - Iansã ou Oiá: divindade dos ventos e tempestades, também está ligada às águas, pois na Nigéria Oiá é dona do rio Niger, também chamado pelos yorubás de Odò Oyá ou “Rio de Oiá”.


- Iemanjá: dona dos mares, da calunga grande, muito ligada às águas salgadas. É o orixá que em terra yorubá é patrona de dois rios: o rio Yemonja e o rio Ogun – não confundir com o orixá Ogum, Deus do ferro.

Para o Espiritismo, a ação magnética produzida tanto no passe quanto para imantar a água fluidificada, pode produzir uma modificação nas propriedades da água (na água fluidificada), quanto no tocante aos fluidos orgânicos (ex: bile, linfa, líquido cefalorraquidiano, saliva, suco gástrico, sangue total, etc). O Espírito Lísias explica para André Luiz , que “… a água é veículo dos mais poderosos para os fluidos de qualquer natureza. Aqui (em Nosso Lar), ela é empregada sobretudo como alimento e remédio”. Para o Espírito Bezerra de Menezes, “A água, em face da sua constituição molecular, é elemento que absorve e conduz a bioenergia que lhe é ministrada. Quando magnetizada e ingerida, produz efeitos orgânicos compatíveis com o fluido de que se faz portadora”.

Cirlot (1984) fala sobre  o simbolismo das águas de uma maneira geral,  e o associa à temática a vida e  da criação.  Cirlot (1984, p.  62) ressalta também  a característica feminina das águas nas mais diversas culturas. Afirma: nos Vedas, as águas recebem o apelido de mârtritamâh (as mais maternas), pois,  a princípio,  tudo  era como um mar sem luz. Em geral, na Índia, considera-se esse elemento como o mantenedor da vida que circula através de toda a natureza, em forma de chuva, seiva, leite,  sangue. Ilimitadas  e imortais, as águas são o principio e o fim de todas as coisas da terra. 

 

Por seu poder de propiciar vida ela atrai a vida à sua volta, seja material ou Espiritual.

 

Propriedade da Água conforme o local da Natureza onde é encontrada:

 

Pedra - Imantação de Xangô. Água retida em saliências entre pedras. Utilizada para atração de força física, disposição, boa-vontade e sabedoria.


Mar - Imantação de Iemanjá. Imã de energias negativas, anti-séptico e cicatrizante. Atrai fertilidade, calma e harmonia. A água do mar - aquela batida contra as rochas e as areias da praia - é livre de impurezas, porém nunca se deve apanhar água do mar quando o mesmo está sem ondas, pois é água que não está em movimento.


Mina - Imantação de Oxum e Nanã.  Atrai força, vitalidade e  boas vibrações, por isso é bastante indicada para firmeza das quartinhas de assentamentos.


Chuva - Imantação de Nanã e Oxum. Descarrega, limpa e purifica.  A água da chuva, quando cai é benéfica, pura, no entanto, depois de cair no chão, torna-se pesada, pois atrai para si as vibrações negativas do local.

 

Cachoeira - Imantação de Oxum e Xangô. Trabalha os sentimentos atraindo alegria, jovialidade e saúde. A água que se apanha na cachoeira, é água batida nas pedras, nas quais vibra, crepita e livra-se de todas as impurezas.

 

Rio - Imantação de Oxum. Traz determinação e garra. Atrai bons pensamentos e pureza de sentimentos.

Poço - Imantação de Nanã -  Trabalha a resistência e a força mental. Atrai sabedoria e paciência.

Orvalho - Imantação de Oxalá. Deve ser recolhido das folhas, ao amanhecer. Utilizada para atração de calma, paciência e fecundidade.


Resumindo, como já foi dito, na Umbanda a água é um dos elementos naturais mais receptivos com uma energia altamente atratora e condutora, sendo utilizada em grande parte dos rituais e principalmente pelos Guias Espirituais nos momentos onde há a necessidade de realizar grande limpeza, purificação e energização de nosso corpo astral e de nossa casa.

A água tem poder tão grande de absorção de energias negativas e cargas maléficas que, em alguns casos, é o único elemento natural capaz de desfazer, limpar e equilibrar o corpo físico e etérico do ser humano.

 

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