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A Importância do Uso das Guias

Autor: Lara Lannes

Equipe Genuína Umbanda

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De acordo com a ritualística da Umbanda, a confecção das guias constitui momentos fundamentais no ritual de iniciação dos filhos-de-santo, os quais, daí em diante, além de unidos, estarão protegidos por seus Orixás. Conforme os atos iniciáticos pelos quais o médium vai passando na Umbanda, recebe a guia correspondente. É assim que primeiramente, recebe a guia de Oxalá, quando ainda não é um médium desenvolvido para sua proteção durante os trabalhos da Casa e, conforme esse desenvolvimento vai sendo adquirido e as entidades vão se confirmando em sua cabeça, vai recebendo as guias dos Orixás e de suas entidades de trabalho. Pode-se reconhecer a linha a que pertence a guia pelas cores utilizadas na sua elaboração.

 

As guias podem ser feitas de diferentes materiais e cores, tendo uso e significado diferentes de diversos tipos. Elas acompanham a vida espiritual do médium de Umbanda durante toda a sua vida e marcam seu vínculo com sua função espiritual, sendo um ponto de contato entre o médium e suas entidades e Orixás.

 

Os materiais utilizados são miçangas, contas de cristal, de louça, sementes, de frutos pequenos, conforme solicitado pela Entidade, que designa também a cor de sua preferência.  Podem, ainda, ter pequenos objetos nela pendurados.

 

Sua confecção, normalmente, é feita com fio de cordonê ou fio de nylon, e com o número e cronologia das miçangas ou contas conforme o padrão adotado pela Casa, ou pela entidade em particular.

 

As guias têm como finalidade identificar a linha de trabalho da entidade que está incorporada, estabelece um vínculo energético entre a vibração do médium e os espíritos que com ele trabalham, ou com os Orixás que regem sua Coroa, bem como servem de proteção energética para o médium. Dessa forma, é que as guias devem ter o tamanho adequado, sendo esse aquele que passa abaixo do umbigo, uma vez que nesse local, reside o chacra esplênico, ponto de irradiação e ponto de entrada da energia vital (prana) em nosso corpo físico-espiritual. É o mais importante centro energético de vitalização do corpo físico. É através desse chacra que o espírito estabelece o contato com o médium durante a incorporação, daí resultando a importância em os fios de contas passarem abaixo dele, para que essa energia esteja envolta e protegida nesse campo magnético criado pela guia.

 

As guias, normalmente, são guardadas no templo umbandista, para proteger sua vibração das correntes energéticas de nosso dia-a-dia e são usadas durante os trabalhos dentro da Casa e durante as Giras. No entanto, tal regra não é absoluta e em várias casão médium leva suas guias consigo, que devem ser guardadas e protegidas das energias do dia-a-dia.

 

Como o objetivo das guias é o de proteger o médium pode acontecer delas se romperem ao segurar em si alguma carga energética destinada ao médium, mas isso não implica no fato de todas as vezes que essa se romper seja por esse motivo, pode acontecer do fio que a mantém romper pelo desgaste do uso.


A Umbanda não utiliza em seus ritos deloguns, lagdbás, hungebes próprios do culto africano. Quando o umbandista faz uso desses fios de contas característicos dos cultos dessa natureza, o faz usando-os como enfeites e ornamentação.

 

Para a confecção das guias, segue-se um ritual específico na Umbanda, devendo ser acesa uma vela durante sua confecção e guardado o silêncio do médium, concentrando-se na vibração do Orixá ou Entidade a qual a guia se destina. Após sua confecção, deve a guia ser entregue ao Zelador de Santo ou Entidade-Chefe da Casa para cruzá-la com pemba, após o ritual do amaci durante o qual as guias deverão ser banhadas com ervas, por um prazo de 03 dias para, enfim, estarem consagradas e energizadas para o uso do médium.

 

Por serem elementos magísticos utilizados apenas pelo médium, as guias não deverão ser manipuladas por terceiros, uma vez que cada pessoa possui um campo energético único, pessoal e intransferível, evitando assim que o laço fluídico do médium com sua função espiritual seja impregnado por energias estranhas a esse vínculo.

 

As guias são especificamente para proteção do médium durante seus trabalhos na Casa de Santo. Não devemos usá-las em situações diversas desses trabalhos, a não ser por ordem expressa do Zelador de Santo ou da Entidade-Chefe da Casa. Por isso, preservamos as guias em determinadas situações seguindo preceitos como não nos alimentarmos com a guia, não mantermos relações sexuais, nem ingerirmos bebidas alcoólicas ou mesmo tomar banho ou irmos ao banheiro com as guias. Claro que no caso de bebidas e comidas durante os rituais, essa restrição não existirá.

 

Correlação dos Orixás e Falanges com a Cor das Guias:

Oxalá - Branca  leitosa  ou  cristal

Ogum - Vermelha, vermelhas   e  branca, vermelha, branca e azul

Xangõ - Marrom

Obaluaiê/ Omulú - Preta  e branca/ preta, branca e vermelha

Oxóssi - Verde, verde com marrom, verde  e vermelha, branca  e  verde, branca, verde e vermelhas

Iemanjá - Branco cristal, azul  cristal

Oxum - Azul. Em algumas casas usa-se amarelo

Iansã - Amarelo. Em algumas casa, usa-se o laranja ou terracota

Nanã - Roxa, azul claro ou lilás

Ibeijada / crianças - Azul claro  e rosa

Preto Velho - Preta e branca, lágrimas de nossa senhora, rosários

Baianos - Amarela, olho de cabra, olho de boi, coquinho

Boiadeiros - Amarela, branca também o verde e o vermelho, olho de cabra, olho de boi , coquinho, laços e chicotes de couro.

Marinheiro - Azul  e  branca

Pomba Gira - Vermelha e preta

Exu - Preta  e  vermelha

Exu Mirim - Preta  e  vermelha 

Oxumaré - Preta  e  amarela, ou  amarela  e  verde

Ossãe - Branca rajada de verde

Ciganos - Coloridas. Usam também fitas coloridas ou colar de cabeça (testeira)

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