Utilização
da Água na Umbanda
Autor:
Lara Lannes
Equipe
Genuína Umbanda
www.genuinaumbanda.com.br
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“Água
que nasce na fonte, serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...
Águas escuras dos rios, que levam
A fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias, e matam a sede
da população...
Águas que caem das pedras, no véu das
cascatas
Ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas, no leito dos
lagos
No leito dos lagos...
Água dos igarapés, onde Iara, a mãe
d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora, pro céu vai
embora
Virar nuvens de algodão...
Gotas de água da chuva, alegre arco-íris
Sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes, são
lágrimas
Na inundação...
Águas que movem moinhos, são as mesmas
águas
Que encharcam o chão esempre voltam
humildes
Pro fundo da terra, Pro fundo da
terra...
Terra! Planeta Água, Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...”
(Planeta Água - Guilherme Arantes) |
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Sabemos
que três quartas partes do globo, do
planeta que habitamos, são cobertas por
água; 86,9% do corpo humano é composto
de água ou carboidratos; mais ou menos
70% de tudo que existe na Terra leva
água, tornando-se desta forma o fator
predominante da vida no Planeta. A ONU,
haja vista a importância da água em
nosso planeta, instituiu o dia da água e
firmou a Declaração Universal dos
Direitos da Água que, em seu artigo
segundo, traz a importância desse
elemento natural em nossa vida:
“Art.
2º -
A água é a seiva do nosso planeta. Ela é
a condição essencial de vida de todo ser
vegetal, animal ou humano. Sem ela não
poderíamos conceber como são a
atmosfera, o clima, a vegetação, a
cultura ou a agricultura. O direito à
água é um dos direitos fundamentais do
ser humano: o direito à vida, tal qual é
estipulado no Art. 3º da Declaração dos
Direitos do Homem.”
Por
esta razão, a Umbanda não poderia deixar
de utilizar como um dos seus principais
elementos a água em seus trabalhos,
possuindo essa uma função
importantíssima e indispensável. Pode-se
dizer que sem água não haveria Umbanda.
Não é a toa que os preto-velhos costumam
dizer: “Com um toco de vela e um copo
d’água se resolve muita coisa.”
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A água tem o poder de absorver, acumular ou
descarregar qualquer vibração. Ela é, portanto,
utilizada em trabalhos de cura, descarrego,
limpeza, imantação, etc, por ser excelente
captadora de energias, possuindo vibração ora
positiva, ora negativa, dependendo do emprego
que se faça dela. Na Umbanda,
ela é utilizada, por exemplo, no
amaci, no batismo, na quartinha, no copo de
firmeza de Anjo de Guarda.
As águas em
copos nas obrigações significam energia vital, e
nos copos junto às velas de Anjo da Guarda ou
atrás das portas de entrada, têm a finalidade de
atrair para si as energias que por ali passam,
atraídas pela Luz ou passando pela porta.
Os copos de
água utilizados para estes fins devem ser
descarregadas pelo menos de 7 em 7 dias, para
não ficarem saturadas e perderão seu poder de
absorção. Esta descarga deve ser feita em água
corrente (na pia com a bica aberta, por
exemplo), pois simboliza movimento, necessário
para transportar as energias absorvidas por ela.
Segundo os conceitos
africanistas, derramar água sobre a terra
significa não só fecundá-la, mas também
restituir-lhe seu sangue branco, alimentando-a e
dando vida a tudo que nasce e cresce. Deitar
água é iniciar e propiciar um ciclo. As águas de
Oxalá pelas quais começa o ano litúrgico yorubá
têm precisamente este significado.
É comum ao se
chegar a uma entrada de uma casa de Candomblé
vir uma filha da casa com uma quartinha com água
e despejar esta água nos lados direito e
esquerdo da pessoa que entra. Este ato é para
acalmar Exu e também para despachar qualquer mal
que por ventura possa estar acompanhando esta
pessoa. Neste caso, a água entra como um escudo
contra o mal.
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Correlação dos Orixás com a água:
Obs: A
correlação que se faz é com os Orixás femininos,
uma vez que essas energias divinas é que são
responsáveis diretas pela manipulação do
elemento Água.
- Nanã:
está associada à terra, à lama e também às
águas. Nanã no antigo Daomé, é considerada como
o ancestral feminino dos povos fons;
- Oxum:
é dona dos rios e das cachoeiras, tem toda a sua
história ligada às águas, pois na Nigéria, Oxum
é a divindade do rio que recebe o mesmo nome do
orixá;
- Iansã ou
Oiá: divindade dos ventos e tempestades,
também está ligada às águas, pois na Nigéria Oiá
é dona do rio Niger, também chamado pelos
yorubás de Odò Oyá ou “Rio de Oiá”.
- Iemanjá:
dona dos mares, da calunga grande, muito ligada
às águas salgadas. É o orixá que em terra yorubá
é patrona de dois rios: o rio Yemonja e o rio
Ogun – não confundir com o orixá Ogum, Deus do
ferro. |
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Para o
Espiritismo, a ação magnética produzida tanto no
passe quanto para imantar a água fluidificada,
pode produzir uma modificação nas propriedades
da água (na água fluidificada), quanto no
tocante aos fluidos orgânicos (ex: bile, linfa,
líquido cefalorraquidiano, saliva, suco
gástrico, sangue total, etc). O Espírito Lísias
explica para André Luiz , que “… a água é
veículo dos mais poderosos para os fluidos de
qualquer natureza. Aqui (em Nosso Lar), ela é
empregada sobretudo como alimento e remédio”.
Para o Espírito Bezerra de Menezes, “A água,
em face da sua constituição molecular, é
elemento que absorve e conduz a bioenergia que
lhe é ministrada. Quando magnetizada e ingerida,
produz efeitos orgânicos compatíveis com o
fluido de que se faz portadora”.
Cirlot (1984)
fala sobre o simbolismo das águas de uma
maneira geral, e o associa à temática a vida e
da criação. Cirlot (1984, p. 62) ressalta
também a característica feminina das águas nas
mais diversas culturas. Afirma: nos Vedas, as
águas recebem o apelido de mârtritamâh (as mais
maternas), pois, a princípio, tudo era como
um mar sem luz. Em geral, na Índia, considera-se
esse elemento como o mantenedor da vida que
circula através de toda a natureza, em forma
de chuva, seiva, leite, sangue. Ilimitadas e
imortais, as águas são o principio e
o fim de todas as coisas da terra.
Por seu poder
de propiciar vida ela atrai a vida à sua volta,
seja material ou Espiritual.
Propriedade da
Água conforme o local da Natureza onde é
encontrada:
Pedra -
Imantação de Xangô. Água retida em saliências
entre pedras. Utilizada para atração de força
física, disposição, boa-vontade e sabedoria.
Mar -
Imantação de
Iemanjá. Imã de energias negativas, anti-séptico
e cicatrizante. Atrai fertilidade, calma e
harmonia.
A água do mar - aquela batida
contra as rochas e as areias da praia - é livre
de impurezas, porém nunca se deve apanhar água
do mar quando o mesmo está sem ondas, pois é
água que não está em movimento.
Mina -
Imantação de Oxum e Nanã. Atrai força,
vitalidade e boas vibrações, por isso é
bastante indicada para firmeza das quartinhas de
assentamentos.
Chuva -
Imantação de Nanã e Oxum. Descarrega, limpa e
purifica. A
água da chuva, quando cai é benéfica, pura, no
entanto, depois de cair no chão, torna-se
pesada, pois atrai para si as vibrações
negativas do local.
Cachoeira
-
Imantação de
Oxum e Xangô. Trabalha os sentimentos atraindo
alegria, jovialidade e saúde.
A água que se apanha na
cachoeira, é água batida nas pedras, nas quais
vibra, crepita e livra-se de todas as impurezas.
Rio -
Imantação de Oxum. Traz determinação e garra.
Atrai bons pensamentos e pureza de sentimentos.
Poço -
Imantação de Nanã - Trabalha a resistência e a
força mental. Atrai sabedoria e paciência.
Orvalho -
Imantação de Oxalá. Deve ser recolhido das
folhas, ao amanhecer. Utilizada para atração de
calma, paciência e fecundidade.
Resumindo, como
já foi dito, na Umbanda a água é um dos
elementos naturais mais receptivos com uma
energia altamente atratora e condutora, sendo
utilizada em grande parte dos rituais e
principalmente pelos Guias Espirituais nos
momentos onde há a necessidade de realizar
grande limpeza, purificação e energização de
nosso corpo astral e de nossa casa.
A
água tem poder tão grande de absorção de
energias negativas e cargas maléficas que, em
alguns casos, é o único elemento natural capaz
de desfazer,
limpar e equilibrar o corpo físico e etérico do
ser humano. |
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