PRETOS-VELHOS
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“O meu Pai Antônio
O meu Pai Antônio
É um preto de fama
O meu Pai Antônio
O meu Pai Antônio
Ele vence demanda
Eu tenho fé
Na Virgem Maria
O meu Pai Antônio
Seja o Nosso Guia”
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Adorei as almas!
Autor:
Lara Lannes
Equipe
Genuína Umbanda
www.genuinaumbanda.com.br
Com essa saudação, os filhos de Umbanda
recebem as entidades de Luz que trabalham na
seara da caridade com a denominação de
Pretos-Velhos, em referência àqueles que já
passaram por seus cativeiros, por suas
lutas, por suas provas, e através dessas
adquiriram humildade e sabedoria para vir
nos ensinar o verdadeiro sentido da palavra
fé, e nos mostrar de que forma podemos
atravessar os obstáculos que a vida nos
impõe.
Os espíritos que atuam nessa falange, quando
incorporam em seus médiuns, trazem a fala
pausada, a paciência de repetir seus
ensinamentos, em harmonia como o título que
recebem daqueles que com eles se consultam:
Vovô ou Vovó.
Andam encurvados, apoiando-se em suas
bengalas sempre feitas de galhos de árvores,
como guiné, e preferem sentar em troncos ou
em seus bancos de madeira, sempre feitos de
forma rústica, sem demonstrar qualquer luxo,
pelo contrário, são exemplos maiores de
humildade e trabalho na caridade em nome de
Jesus.
Fumam seus cachimbos, ou mesmo charutos,
podendo usar chapéu ou, no caso das
Pretas-Velhas, seu lenço de cabeça. Muitos
usam suas contas feitas de lágrima de Nossa
Senhora, terços ou rosários, nas quais
colocam elementos de sua mironga, úteis na
reza dos filhos que assistem. Em muitos
casos, usam uma cruz de guiné.
Trazem em sua bagagem muitos séculos de
experiência, de vidas passadas, do caminho
que levaram até alcançarem à Aruanda. E, com
sua fala mansa e muita serenidade, escutam
com paciência os que a ele procuram, sem
considerar credo, raça, idade ou sexo do
consulente.
Ao contrário do que a maioria das pessoas
acredita nem todo Preto-Velho foi escravo.
Muitos viveram suas encarnações muito antes
desse período da história da humanidade.
Muitos alcançaram seu posto de entidade de
Umbanda desde muitos séculos atrás. Foram
filósofos, médicos, ricos, pobres. Quando um
Preto-Velho fala de seu cativeiro, de sua
escravidão, não necessariamente corresponde
este à escravidão no Brasil. Muitas vezes,
essa escravidão ou cativeiro se deu mesmo em
outros planos espirituais e o Preto-Velho
fala deles como uma forma de trazer ao filho
o exemplo de suas lutas e dificuldades para
alcançar sua luz.
Por tudo isso é que a Umbanda homenageia os
Pretos-Velhos no dia 13 de maio, dia da
Libertação dos Escravos.
Os Preto-Velhos não realizam milagres, não
são oráculos para sabermos nosso futuro. Sua
linha de trabalho reside em ouvir com
atenção a quem lhe procura, fazer com que o
filho relate suas dificuldades, e mostrando
a esse filho o que precisa ser mudado em seu
comportamento para que o problema se
resolva. Utiliza suas mirongas e rezas para
afastar obsessores e quebrar feitiços, mas
não realiza milagres. É necessário que
aquele que procura a ajuda de um Preto-Velho
saiba que não vai ser realizada nenhuma
mágica, mas sim que é necessário que o filho
tenha fé, tenha o coração aberto, que
acredite em Deus e na Sua força para que
resolva seus problemas.
Por isso mesmo, a atuação de um Preto-Velho
é a de um conselheiro que procuramos para
nos auxiliar na mudança de comportamento.
São verdadeiros psicólogos da alma; a quem
confiamos nossos segredos que não diríamos a
nenhuma outra pessoa de nosso convívio.
Revelam-se amigos, mas não se engane: um
Preto-Velho jamais poderá ser enganado,
porque ele vê não só aquilo que dizemos a
ele, ele olha em nosso espírito e percebe os
vícios e defeitos que ainda necessitamos
deixar para trás para alcançarmos nossa
evolução.
Seu trabalho consiste em ajudar nossa
mudança interna, utilizando também, quando
necessário, banhos de descarrego, banhos de
energização, ou mesmo pontos riscados e
pontos de fogo, amparado muitas vezes pelo
trabalho de exus para desfazer trabalhos de
magia no combate às forças negativas.
Dessa forma, ao procurar os conselhos de
nossos Pais-Velhos, dispa-se de sua posição
social, de sua vaidade, de sua sabedoria, e
tenha em mente que ali se encontra um
espírito que alcançou um plano evolutivo
capaz de perceber aquilo que necessitamos
para nossa reforma íntima. Tenha em mente
que devemos nos abaixar ou nos ajoelharmos a
sua frente para que sejamos envolvidos e
encobertos por sua luz e bençãos. Tome sua
benção de coração aberto, orando a Deus, aos
Orixás e a Jesus Cristo para que sejamos
merecedores e aptos a alcançarmos as graças
divinas pelas mãos desse trabalhador humilde
e sábio de nossa querida Umbanda.
Salve os
amados Pretos Velhos.
Salve Pai
Antônio, Pai Firmino, Pai Benedito, Pai
Moçambique.
Salve todos
os trabalhadores desta seara de luz.
“Quem disse que preto é preto,
Não sabe o que preto é.
Preto é filho de Zambi,
de Jesus de Nazaré.”
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