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“Vamos abrir a nossa gira
Com licença de Oxalá
Vamos abrir a nossa gira
Com licença de Oxalá
Salve Xangô,Salve Iemanjá
Mamãe Oxum, Nanã Buroquê
Salve Cosme e Damião
Oxóssi, Ogum, Oxumaré
Salve Cosme e Damião
Oxóssi, Ogum,Oxumaré" |
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Autor: Lara Lannes
Equipe Genuína Umbanda
www.genuinaumbanda.com.br
Nas diversas religiões existentes e que já
existiram desde a Antiguidade, encontramos o
cântico, a louvação como forma de expressão do
amor a Deus, e na Umbanda, não poderia ser
diferente, onde existem os pontos cantados, que
possuem diversas atribuições, como passaremos a
explicar.
Em primeiro lugar, os pontos cantados são a
forma pela qual saudamos os Orixás, Entidades e
Guias da Umbanda, o ponto representa uma oração,
um pedido que fazemos para que nossos protetores
estejam sempre olhando por nós, abençoando-nos e
nos livrando dos males.
É, também, uma poderosa ferramenta para a
concentração necessária dos médiuns e da
assistência do ritual, para que seja invocada a
falange durante as giras nos terreiros. Com a
utilização do atabaque, forma um elo para a
chamada dos falangeiros dos Orixás e demais
entidades.
Os pontos mais tradicionais são cantados há
um século, desde os primórdios da Umbanda,
trazidos pelas entidades e falanges. Por isso,
são freqüentes as utilizações dos elementos que
estas entidades utilizam em seus trabalhos, que
os fortalecem, como por exemplo, o fogo, a água,
a terra, o ar, dependendo da Linha que
identifica a entidade: Xangô - a pedreira, ou
machado; Oxóssi – a mata, as flechas, as folhas;
Iemanjá – o mar, as ondas, e assim por diante.
A Umbanda mais tradicional, ou aquela iniciada
com o Caboclo das Sete Encruzilhadas, traz os
pontos cantados acompanhados pelo som das palmas
dos médiuns e assistentes das giras, sendo que
com o tempo, os atabaques foram introduzidos na
percussão associando o ritmo com os toques das
nações de Angola, Ketu, Jejê ou Nagô; mas mesmo
que tenha havido essa fusão de ritmos, tal fato
não desmerece aquele terreiro que usa o atabaque
ou o que segue somente com as palmas o
acompanhamento dos pontos cantados. O essencial
e importante no culto à Umbanda é
verdadeiramente a prática da caridade e a
assistência aos consulentes que batem às suas
portas atrás de solução e amparo para seus
problemas cotidianos e espirituais.
O atabaque é um instrumento que possui grande
respeito na Umbanda, pois é através do seu toque
correto que chamamos os espíritos atuantes na
Umbanda, representantes da força dos Orixás e de
Zambi. Tem sua origem nos tambores das festas
das tribos indígenas e das aldeias africanas,
quando se louvavam os deuses e orixás.
O som produzido pelos atabaques representam
verdadeiros códigos de chamada das entidades e
guias, são como um acesso ao plano espiritual,
onde chegam, formando um elo energético entre a
falange e a gira do terreiro onde se chama por
ela, em seus trabalhos.
Os atabaques têm importância fundamental para os
terreiros de Umbanda, sendo instrumento sagrado,
consagrado e firmado pelos Orixás e guias,
devendo os Ogãs respeitarem também todo um
preceito e fundamento para poderem tocá-los
durante as giras de Umbanda, já que ao atabaque
corresponde um Orixá, tendo suas obrigações a
serem feitas.
Os atabaques são de três tipos diferentes: Rum,
Rumpi e Lê. O Rum é o atabaque maior, o Rumpi, o
segundo atabaque maior, que deve responder ao
Rum, e o Lê o terceiro atabaque utilizado pelos
ogãs principiantes ou em aprendizado.
Os pontos cantados são de fundamental
importância para estabelecer o padrão vibratório
dos terreiros durante as giras, devendo ser
realizados com responsabilidade e respeito,
tanto pelos Ogãs, quanto pelos demais
integrantes do corpo mediúnico, já que sua força
é tanta que responde pela firmeza da casa
espiritual. Muito se ouve dizer que pontos
cantados com firmeza e responsabilidade são
responsáveis por manter um terreiro, ou por
outro lado, destruí-lo.
Quanto à finalidade, os Pontos Cantados podem
ser:
- Pontos de chegada e partida;
- Pontos de vibração;
- Pontos de defumação;
- Pontos de descarrego;
- Pontos de fluidificação;
- Pontos contra demandas;
- Ponto de abertura e fechamento de trabalhos;
- Pontos de firmeza;
- Pontos de doutrinação;
- Pontos de segurança ou proteção (são cantados
antes dos de firmeza);
- Pontos de cruzamento de linhas;
- Pontos de cruzamento de falanges;
- Pontos de cruzamento de terreiro;
- Pontos de consagração do Congá;
Os principais pontos utilizados no ritual Umbandista são:
ponto de abertura, ponto de defumação, ponto de
chamada
(entoados para evocação das Entidades),
ponto de encerramento e hino da umbanda.
Costuma-se definir, ainda, os pontos cantados
como verdadeiros mantras entoados em preces e
louvação que evocam os espíritos superiores,
fortalecendo os centros de energia, nossos
chacras, formando juntamente com a egrégora de
espíritos superiores presentes nos terreiros
durante as giras um ambiente de luz, capaz de
dissipar as energias nocivas e miasmas
inferiores e de livrar, muitas vezes, os
encarnados da perseguição de obsessores,
espíritos vingativos ou perversos aos quais
estejam ligados.
Por trás
de todo ponto cantado existe a magia, a
“mironga” da entidade que o trouxe. É por isso
de fundamental importância que as “curimbas”
sejam louvadas com concentração, fé, amor e
sintonia para que as ondas sonoras produzidas
sejam capazes de evocar a entidade, falange ou
linha espiritual que se requisita no terreiro, e
que o responsável pela curimba tenha
conhecimento do fundamento esotérico (oculto) da
canção.
Os pontos
cantados mudam de ritmo e mesmo de freqüência de
acordo com as vibrações espirituais:
- Oxalá -
são sons místicos, predispondo à paz e as
elevação espiritual;
- Ogum -
são sons vibrantes;
- Oxossi -
sons que lembram a harmonia da natureza, mais
acelerados;
- Xangô -
sons graves e cantados em tom baixo;
- Ibeji - sons alegres, vibrantes;
- Yemanjá, Oxum -
sons suaves, emotivos;
- Iansã -
sons vibrantes, estimulantes.
Quanto à
origem, os pontos cantados classificam-se em:
- Pontos
de Raiz: são aqueles ditados pelas entidades,
que os trazem dos Planos Superiores onde
habitam, fazendo dele sua chamada particular ou
da falange que integra. Ativam uma linguagem
espiritual referente aos sons que o ponto emite,
estabelecendo uma conexão vibratória entre o
plano físico e o plano espiritual. Tais pontos
de forma nenhuma devem ser alterados, já que são
direcionados e estabelecidos pela entidade ou
falange para fins específicos.
- Pontos
Terrenos: São os pontos criados pelos encarnados
para homenagear o Orixá, uma falange ou
determinada entidade, sendo aceitos pelos Guias
e Entidades desde que providos de razão e bom
senso. Às vezes, porém, nos deparamos com pontos
criados pelos encarnados que nos causam
verdadeiro espanto, quando não tristeza. São
composições "sem pé nem cabeça", destituídas de
fundamento, com frases ingênuas e sem nenhum
nexo, chegando algumas a denegrirem os reais
valores umbandistas.
Os pontos
cantados têm a função de abrir, desenvolver e
encerrar os trabalhos da corrente mediúnica, do
trabalho espiritual. É necessária a concentração
de todos os participantes para a sintonia
vibratória, para que as entidades possam
encontrar um ambiente propício ao trabalho a ser
realizado durante a gira. Juntamente com os
demais componentes da ritualística da Umbanda,
trazem força aos trabalhadores encarnados e
desencarnados dessa poderosa Religião para o
trabalho preconizado pelo Caboclo das Sete
Encruzilhadas, pautados no amor ao próximo e no
exercício da caridade.
"Vamos
fechar a nossa gira
Com licença de Oxalá
Vamos fechar a nossa gira
Com licença de Oxalá
Salve Xangô
Salve Iemanjá
Mamãe Oxum, Nanã Buroquê
Salve Cosme e Damião
Oxóssi, Ogum
Oxumaré
Salve Cosme e Damião
Oxóssi, Ogum
Oxumaré
"
