VIAJANDO COM JOÃOZINHO DA BEIRA DA PRAIA
Certa noite, Joãozinho me apareceu em sonho e
foi logo direto ao assunto:
“tiozinho eu quero te mostrar alguns lugares.
Você vem comigo?”
Eu
respondi que queria ir sim. Mas, ele fez uma
observação, dizendo que para isso ele teria que
me matar. Então, eu disse que dessa forma não;
se não havia outra maneira. Ele afirmou dizendo
só existir aquela maneira, e neste momento não
tive mais opção de escolha. Me vi dentro de uma
gaiola de ferro suspensa e ele aparecia com uma
lança e atravessou essa lança em meu peito; eu
vi meu espírito desprendendo-se da matéria e
Joãozinho disse:
“Me
dê a mão e vamos...”
Caminhamos muito por um caminho que não havia
nada a não ser uma vegetação rasteira. Do meu
lado esquerdo um infinito, e em meu lado
direito, começava a surgir uma paisagem. Na
verdade, surgiam umas montanhas, eu percebia que
Joãozinho me induzia a andar mais rápido e que
na verdade não eram montanhas e sim vulcões.
Então, perguntei o que era aquilo e ele me disse
para não olhar muito, pois eram almas que ali
habitavam sofrendo a dor da cobrança de seus
erros mais pesados. Estavam ali abandonados,
esperando um socorro espiritual. Essas almas
gemiam, gritavam, e havia nuvens muito cinzas,
um ar pesado e aterrorizador. Eu continuava
olhando e Joãozinho mais uma vez pediu que eu
não olhasse muito porque era perigoso.
Continuamos a caminhar e começamos a beirar um
rio com água muito limpa; já não era mais uma
visão aterrorizadora. Tinha muitos pássaros, de
muitas espécies e cores, um rio sereno que ia
ficando cada vez mais largo, até que paramos.
Parecia um lago, água cristalina, muitos peixes,
parecidos com aquelas espécies exóticas, e
Joãozinho disse:
“Aqui é onde mãezinha Oxum mora, veja a água
cristalina, os peixes, os pássaros, mas vamos
logo antes que ela chegue, ela não vai gostar de
ver a gente aqui.”
Seguimos em frente e novamente uma paisagem
rasteira. Andamos muito e ele em silêncio e me
induzindo mais uma vez a andar mais rápido. Até
que o caminho terminava, não tinha mais pra onde
ir, ou seja, fim daquele caminho: era a beira de
um enorme lago, imenso.
Joãozinho disse então para sentarmos para
descansar. Em nossa frente, tinha um barco.
Joãozinho me pediu para olhar adiante e avistei
uma mata fechada. Essa mata dava tom à água do
lago, e eu fiquei encantado com aquela mata. Era
linda e pedi a Joãozinho para ir até lá e ele me
respondeu:
“Não
tiozinho. Lá mora paizinho Oxossi, e ninguém
pode ir lá. Quem vai lá, não volta...”
Despertei do sonho, um pouco assustado, um pouco
encantado, uma mistura de sensações que fez com
que eu demorasse um pouco para conseguir voltar
ao normal.
Agradeço a Joãozinho da Beira da Praia por me
conceder a oportunidade de visitar a morada da
minha mãe Oxum e ver a morada do meu pai Oxossi.
E, ainda, ver algo que acontece quando nos
distanciamos de Deus, praticando o mal e nos
comportando de forma involutiva em nossa
passagem pela terra.
Isso
também mostra que a Umbanda em sua prática nos
aproxima de Deus, nos proporciona evolução
espiritual, nos dá conforto, e nos guia nessa
caminhada tão longa através da caridade e amor
ao próximo, sempre defendendo a bandeira de
nosso Pai Oxalá.
Salve Joãozinho da Beira da Praia.
Voltar ao
índice
|