O
DIA EM QUE A UNIÃO VENCEU O PRECONCEITO
Diante da mesa
estavam todos os membros daquela casa de oração. Rezavam com fervor
pedindo aos amigos do plano superior que amparassem e protegessem o
dirigente daquela casa que se encontrava internado.
Para os médiuns
daquela centro espírita não restavam dúvidas: espíritos trevosos
estavam perturbando a vida do dirigente. Naquela noite inspirados
pelos mentores da casa, estavam em oração pedindo a intervenção
divina.
Alguns médiuns
presentes aquela sessão eram videntes. Emocionados viram a chegada
dos mentores. Estes chegaram envoltos em luz. Pediram que todos
orassem sentidamente pelo pronto restabelecimento do dirigente.
Disseram que
pelo jeito dele dirigir a casa não estava imune a perseguição
espiritual, promovida por espíritos não esclarecidos. No hospital o
dirigente recebeu a luz enviada. Porém, a energia negativa que o
envolvia não se dissipava. Ali ao lado de seu leito um verdadeiro
exército de espíritos a atormenta – lo e sugar suas energias.
Quando ele
dormia seu espírito podia ver seus algozes: rindo, insultando – o.
Reconheceu desafetos do passado e espíritos que em seu centro
espírita haviam sido impedidos de perturbar os encarnados. Apesar
dele estar debilitado pede a Deus forças para enfrentar essa
terrível situação. Suas preces afastam normalmente aqueles irmãos
sofredores e ele aproveita para retornar ao corpo físico. Um novo
dia está nascendo lá fora.
Os médiuns
constatam atordoados que o estado dele piora consideravelmente. Não
acham motivos e nem sabem o que fazer. Hoje a noite o centro estará
em orações novamente, segundo ordem dos mentores. Alguns médiuns
mais tarimbados foram escolhidos para essa sessão. Eles sabem que
lutariam contra algo poderoso. Não podem vacilar.
Quando a noite
chega, todos estão reunidos orando e pedindo proteção ao irmão tão
querido. Neste instante os mentores falam que nessa noite receberão
visitas que virão auxilia – los. Intrigados os médiuns videntes
percebem a aproximação de estranhas figuras. Espíritos masculinos,
vestidos de capas pretas, alguns carregando armas embainhadas na
cintura, outros portando estranhos garfos que emitem luzes negras.
Os mentores
pedem a todos que não tenham medo. Diante do quadro clínico do
dirigente espírita eles acham por bem pedir auxílio de irmãos de
outra corrente que também lutam a seu modo a serviço do bem.
Explicam que
aqueles seres são os famosos Exus da Umbanda e que ao contrário do
que muitos pensam no meio espírita, também são tarefeiros que
combatem de maneira especial o ódio e o desamor.
Após breve
explicação os Exus sorriem e pedem que confiem neles, pois irão
guerrear imediatamente em favor do dirigente. Então se materializam
no hospital, avançam até o quarto do dirigente e surpreendem os
Kiumbas.
A batalha que
travam é feroz.
A medida que vão
derrubando os kiumbas, os espíritos kardecistas vão levando – os
para o astral na tentativa de recupera – los para a luz. Naquele
pequeno quarto de hospital o que se viu aquela noite foi a união
entre as forças da Umbanda e dos Espíritas, todos em nome da luz.
Quando o dia amanheceu nosso amigo dirigente (que assistiu toda a
batalha) melhora consideravelmente, no mesmo dia recebe alta.
A partir daí
naquele centro os conceitos e preconceitos em relação a Umbanda
começaram a serem discutidos e mudados. Muitos médiuns dali tiveram
que compreender que não existem divisões no mundo espiritual.
Todos que lá estão a serviço da Luz agem a sua maneira de acordo com
as características ou de conformidade com o local onde habitam
(colônias, falanges, etc).
Mas todos sem
exceção caminham auxiliando e amparando. Diante dessas sábias
conclusões Exu sorri satisfeito. Mas sabe que a luta contra o
preconceito está apenas começando. Pelo menos ali eles já contam com
mais alguns aliados. Laroiê!!
Cássio Ribeiro -
texto extraído do JUS Edição 61 mês de Maio.
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