MEDIUNIDADE E UMBANDA
EDUARDO PARRA
1- ) O trabalho mediúnico
Não
é fácil ser médium e mais difícil ainda é ser médium de Umbanda.
A
mediunidade é o elo de ligação, o caminho e a meta das pessoas
possuidoras desse dom. E longe de ser um instrumento passivo, o
médium, como mediador que é, tem o dever de buscar o
auto-aprimoramento e a reta conduta pois, esses são os
sintonizadores maiores da mediunidade. É como disse o mestre: "Uma
árvore má não pode dar bons frutos"… e é plantando que se colhe, ou
seja, nossas afinidades refletem o nível e o tipo de espíritos que
atraímos para nosso campo mediúnico.
Sabemos o quanto é penoso o caminho da matéria, quantos
pseudo-atalhos existem no caminho da evolução, incontáveis atalhos
que não levam a lugar nenhum e, para conseguirmos uma sintonia fina
com "canais" superiores precisamos de três coisas básicas:
humildade, simplicidade, e pureza de pensamentos, sentimentos e
ações. A primeira vista parece simples, mas quando pisamos no chão,
nos damos conta de nossa fraqueza que, nos atira a caminhos escuros
e incertos. Então, só apelando para o Astral superior é que
conseguiremos trilhar o verdadeiro caminho da espiritualidade pois,
se estamos fracos, nossa fé verdadeira pautada pela razão nos
libertará. E gradativamente conquistaremos e domaremos o nosso pior
inimigo que, está em nosso íntimo.
Ainda, em termos científicos podemos definir a mediunidade como um
aumento variável da percepção extra-física ( PES ), causada por
modificações e acréscimos energéticos nos chacras de determinadas
pessoas, e ressaltamos que esse processo ocorre antes de encarne ou
seja, a nível Astral.
Essas pessoas, os médiuns, possuem o dom mediúnico por terem missões
kármicas dentro do movimento espiritualista. A palavra mediunidade
significa modo, meio de manifestação, ou intermediação.
E
partindo do fato de que a mediunidade está vinculada a missões
definidas, não é correto afirmarmos que todas as pessoas são
médiuns; Podemos dizer que todos são suceptiveis à influências
espirituais mas, isso não é mediunidade.
Saibam também que existem diversas formas de mediunidade, tais como:
a clarividência, a clariaudiência, vidência etc. E existe uma forma
de mediunidade mais acentuda, a mais utilizada na Umbanda, que é a
mediunidade de incorporação.
O
médium de incorporação é aquele que além da ligação e proteção da
corrente espiritual de sua vibração original ( Orixá ), possui uma
forte ligação com determinadas entidades espirituais.
Essa
ligação vem de ligações kármicas e do acordo firmado no plano
Astral, pelo próprio médium antes de seu reencarne, onde o mesmo se
compromete a trabalhar pela causa espiritualista em determinado
movimento ou culto.
Por
essa razão que ouvimos pessoas dizerem que foram falar com a
entidade tal, e ela lhe aconselhou para que vestisse a roupa branca,
ou seja, que assumisse sua missão mediúnica.
Vocês que passaram por isso, se conversaram com "entidades de fato"
e foram chamados para o trabalho, não percam tempo. Procurem um
templo que mais se afinize com suas idéias e assumam seu compromisso
que, certamente serão mais felizes e realizados.
Dentro da mediúnidade de incorporação existem três tipos básicos de
atuação que carcterizam graus kármicos e de consciência, expressos
nos médiuns de karma: probatório, evolutivo, ou missionário.
Os
médiuns de karma probatória se afinizam e trabalham com entidades no
grau de protetores. A maioria de nós está nessa condição e utiliza o
caminho da mediunidade como apaziguador para débitos kármicos
antigos.
Há
também, os médiuns de karma evolutivo se afinizam e trabalham com
entidades no grau guia, eles possuem um mediunismo mais apurado com
possibilidades de desenvolver a clarividência e a clariaudiência, na
depêndencia da função desenpenhada, a qual lhe foi confiada no
astral.
Por
fim, existem raros médiuns no grau de missionários, eles são mestres
com grandes missões junto a coletividade a qual pertencem, e se
mediunizados podem contactar e manifestar entidades no grau de
Orixás Menores; Eles possuem vários dons mediúnicos, associados a um
grande conhecimento, adquirido em encarnações pretéritas, e
alicerciados pela luz do amor e da sabedoria que só raras pessoas
possuem.
Enfim, independente do grau ou atividade mediúnica, todas as
entidades espirituais trabalham e todos os médiuns estão aptos a
desenvolver também, importantes trabalhos que contribuirão para
evolução mundial.
Se
cada um fizer sua pequena parte, por amor, teremos um mundo bem
melhor porque o futuro realmente depende de nós !
2
-) A Ética na mediunidade
O
médium como elo de ligação entre o visível e o invisível, deve se
preocupar em manter a serenidade mental no seu dia a dia para que
pensamentos difusos são sejam cultivados porque promovem uma
sintonia com entidades espirituais de baixa estirpe moral.
E
como médium devido sua abundante energia é alvo dos mais atrozes
ataques provenientes do baxio astral desencarnado e encarnado, ele
deve procurar manter um nível de pensamentos salutares procurando
seleciona-los em companhia de pessoas de boa índole ( dize-me com
quem andas, que eu te direi quem és ! ), para que sua corrente
mental o proteja das ações do baixo astral, para que sua boca
pronuncie palavras limpas, e para seus ouvidos ouçam palavras
harmoniosas porque é de nossa boca que emana aquilo do que nosso
coração está cheio. E nesse ponto salientamos que, é também pela
boca que ingerimos os alimentos, logo, esses alimentos também devem
ser selecionados para que a harmonia impere em nosso organismo como
um todo; Sabemos que a abstenção do consumo de carne vermelha pelos
médiuns umbandistas têm que ser controlada porque somos alvos de
ataques constantes e necessitamos de um sustentáculo material mais
robuscado ( mais proteína ) porém, pensamos que ao menos a carne de
porco pode ser suprimida de nossa alimentação com racionalidade.
Irmãos, a alimentação constitue um fator decisivo na atuação
mediúnica porque quando ingerimos carne, quando comemos em excesso
ou ingerimos álcool, o nosso organismo sofre alterações químicas que
além de estimularem o animismo vicioso através da ligação instintiva
intensa, ainda promovem uma eliminação via hálito e suor que, pode
prejudicar os consulentes em uma consulta mediúnica.
Por
todos esses fatores é que ao menos no dia da sessão de caridade,
devemos nos abster de carne, de álcool, e até a diminuição do fumo
por parte de quem cultiva esse infeliz hábito é aconselhável porque,
o fumo carreia toxinas que dificultam a fluência energética no nosso
organismo, bem como obscurecem nossa sensibilidade às vibrações
superiores emanadas por nosso mentor espiritual. Muitos devem estar
fazendo a observação de que os as entidades de Umbanda utilizam o
fumo e o álcool em seus trabalhos porém, ressaltamos que elas
utilizam esses elementos justamente como amortecedores de cargas
oriundas de baixas vibrações e que quando desencorporam, minimizam a
atuação negativa dessas substâncias no corpo físico do médium e isso
explica o motivo de muitos médiuns que atuam frequentemente em
ambientes hostis com trabalhos pesados, ingerirem álcool (marafo) em
quantidade e depois que desencorporam não apresentarem efeitos desse
elemento; Isso quando incorporam de verdade...
O
médium no dia que vai atuar mediunicamente ainda deve se abster de
sexo para preservar sua vibração original, o que será positivo no
contato mediúnico pois, o sexo une dois seres a níveis mais sutis do
que o físico...
Outro ponto importante não relativo a sexualidade mas a sexo, é o
fato de que no período pré-menstrual e na menopausa, o organismo
provocar alterações psíquicas decorrentes da t.p.m. ( tensão
pré-menstrual ) ENTRE OUTROS FATORES , portanto, a mulher sofre
fortes influências psíquicas regidas pelo ciclo menstrual que, como
o ciclo lunar é de 28 dias. E o fato da mulher ter ciclos negativos
como a lua ( cheia e minguante ) é de conhecimento de culturas
antigas pois, em tribos indígenas a mulher fica isolada no período
menstrual, longe de seus afazeres habituais, e no próprio antigo
testamento da Bíblia está escrito:
"
Quando uma mulher tiver um fluxo de sangue e que seja fluxo de
sangue do seu corpo, permanecerá durante sete dias na impureza de
suas regras. ( Levítico 15,19 ) "
"
Não te aproximarás de uma mulher, para descobrir a sua nudez,
durante a sua impureza das regras. ( Levítico 20,18 ). "
Assim, é justamente por essa inconstância vibratória, que a mulher
não pode exercer a função de comando em escolas de iniciação.
Queremos deixar claro que não somos machistas e somos avessos ao
preconceito, mesmo porque, a evolução psicológica em nossa sociedade
não dá espaços para atitudes radicais e preconceituosas, a ponto de
hoje entendermos que homem e mulher são igualmente filhos de Deus e
cada um em seu caminho pode alcançar sua realização pessoal e
transcedental em harmonia com seu par . Mas, como homem e mulher são
diferentes a nível físico, emocinal e mental, na Umbanda, a mulher
só pode assumir o comando em agrupamentos esotéricos ou terreiros
onde não há uma manipulação efetiva da magia , desde que no período
menstrual seja substituída por um homem ( sacerdote ).
Enfim, não queremos ser normalistas ou falso-moralistas, queremos
expor os fatos à luz da razão com explicações lógicas e plausíveis,
para que o médium não venha a prejudicar a si e aos outros.
3-) Diferenças fundamentais entre os médiuns na Umbanda e os médiuns
no Kardecismo
O
kardecismo fez renascer os conceitos milenares de reencarnação, vida
eterna, pluralidade dos mundo e lei do Karma ( vida em ação ), ou
lei de causa e efeito.
E a
partir dessas bases, o movimento umbandista surgiu em um novo
momento do espiritualismo, cujo objetivo é reascender no homem a
chama da humildade e sabedoria, da simplicidade e fortaleza, e do
amor e alegria, por meio das entidades ditas como: pais-velhos,
caboclos, e crianças.
Ainda hoje, dentre os agrupamentos esótericos, a Umbanda é taxada
por muitos como baixo espiritismo, macumba e feitiçaria. Isso ocorre
porque a Umbanda lida com seres humanos e, como outras religiões
também está sujeita a deturpações e inversões de valores.
A
única diferença que acentua o efeito dessas deturpações no meio
umbandista é que a Umbanda é um campo de batalhas, tem mironga
(magia), tem erós (segredos), e exigi líderes gabaritados e com
ordens e direitos de trabalho adquiridas quando ainda estavam no
astral, ou seja, quando estavam desencarnados.
Porque, o verdadeiro médium umbandista traz um grande acréscimo
energético em seus chacras para poder suportar as batalhas e
demandas contra o mal, por isso, a mediunidade na umbanda é
diferente da mediunidade no espiritismo pois, no Kardecismo a forma
mediúnica predominante é a intuitiva ( irradiação intuitiva ) e não
há incorporações nem quebra de feitiçarias e, na Umbanda a forma
mediúnica predominante é a incorporaçao semi-consciente. Não estou
sugerindo que um tipo de mediunidade seja melhor do que o outro,
estou apenas apontando as diferenças e, assim "procurando alertar as
pessoas que por falta de conhecimento podem ser muito prejudicadas".
Então, o corpo astral do legítimo médium umbandista foi preparado
para suportar entrechoques fortes, para conter a fúria do baixo
astral.
Com
esses aportes o médium umbandista pode até trabalhar em correntes
Kardecistas apesar de não estar cumprindo sua missão pré-determinada
mas, o legítimo médium espírita não pode trabalhar no movimento
umbandista pois, na sua missão atual ele não precisará se confrontar
com o submundo astral e não foi preparado para isso.
Portanto, se uma pessoa resolve abrir uma tenda de Umbanda por conta
própria, sem as devidas ordens e direitos, sem a cobertura de um
guia ou protetor de Umbanda, o terreiro literalmente cai, e é
invadido pelo submundo astral que mistifica as verdadeiras entidade
de Umbanda. É facil reconhecer um terreiro nesse estado pois, o
ambiente astral é carregadíssimo, as pseudo-entidades solicitam
matanças constantes de animais, induzem os médiuns à vaidade e a
vingança, fazem trabalhos de baixa estirpe e usam um palavreado de
"baixo calão" constantemente.
Umbanda não é brincadeira. Separemos o joio do trigo, lembrando que
já no primeiro terreiro de Umbanda, em 1908, não existiam matanças
de animais , e que foi a influência e a migração dos praticantes de
outros cultos que trouxeram essas práticas.
Notem, que queremos e nem temos o direito de julgar ninguém, mesmo
porque no antigo testamento da Bíblia encontramos até referências a
sacrifícios com animais feitos por Moisés. No entanto, queremos
esclarecer o que é, e o que não é da Umbanda.
Enfim, a Umbanda não ensina a prática da baixa magia, mas se pessoas
utilizando o bom nome da Umbanda assim agem, devemos alertar a todos
sobre a lei do Karma ou causa e efeito já que a Umbanda é um culto
universalista de paz e amor e que possui um papel fundamental no
espiritualismo, convivendo em harmonia com todos os outros cultos,
prova disso é a declaração do valoroso Chico Xavier em resposta a
uma pergunta sobre a Umbanda, formulada pelo jornalista e umbandista
Vicente Leporaca, onde o mesmo disse:
" - Respeitamos na
Umbanda, uma grande legião de companheiros muito respeitáveis,
consagrados à caridade que Jesus nos legou, grandes expositores da
mediunidade, da mediunidade que auxilia, alivia o próximo. Credores
da nossa maior veneração, conquanto estejamos vinculados aos
príncipios codificados por Allan Kardec, de nossa parte. " ( do
livro: Dos hippies aos problemas do mundo - Chico Xavier )
Voltar ao
índice
|