MEDIUNIDADE E A EVOLUÇÃO
DO PSIQUISMO
DR. JORGE ANDREA
Fonte:
Revista "Presença Espírita", jan./fev.de 1994
A dinâmica mediúnica revela um estado alterado de consciência;
portanto, um autêntico estado de transe.
Transes existem de vaiada natureza, razão porque devemos estar
atentos para as devidas distinções e avaliações.
Assim é que podemos presenciar os transes ligados a ausência de
oxigênio no sangue (anóxia), as doses oscilantes de glicose no
sangue comuns dos diabéticos, além de outros transes causados por
distúrbios metabólicos.
Também substâncias farmacológicas, tais como álcool, drogas diversas
(cocaína, maconha, heroína, etc.) são desencadeadoras de tal
processo.
Ainda mais, estão inclusos nestes parâmetros o transe hipnótico e
aqueles observados nas distonias mentais(epilepsia, histeria, etc.).
O transe mediúnico, por ser condição fisiológica e absolutamente
hígida, ou seja, saudável, necessita de avaliações e apreciações
cuidadosas, a fim de não ser confundido com outros setores,
principalmente o patológico, aliás o que já deu margem a intensos
desencontros.
A dinâmica mediúnica, por se desenvolver em vários setores do
psiquismo humano, é fenômeno de extrema complexidade, onde muitas
nuanças nos escapam.
‘Quando a entidade espiritual procura comunicar-se com a organização
psíquica do médium, ambos em sintonia buscam entrosamento. De um
lado, o Espírito (vontade-apelo), do outro, o médium
(vontade-resposta), a fim de que o mecanismo de ideação possa
desencadear-se, nos diz André Luiz.
Inicialmente os campos de entrosamento se fazem através das
respectivas zonas perispirituais - irradiações perispirituais do
Espírito e recepção perispiritual do médium - que, assim enredados,
dirigem-se aos campos físicos do receptor para as devidas
elaborações psicológicas.
Dessa forma, haverá necessidade de transformações nos respectivos
campos do psiquismo. As energias vindas da dimensão hiperfísica
(campos perispirituais) sofrerão transformações no psiquismo do
médium, a fim de que o processo intelectivo se instale fornecendo a
informação - mensagem.
Ante as informações espirituais, principalmente de A. Luiz, e os
estudos realizados em França pelo dr. Thiebault, a glândula pineal
está sendo novamente reconhecida como elemento valoroso nos
processos nobres do psiquismo.
Não seria apenas uma glândula passageira a controlar o sexo nos
primeiros anos de vida, com posterior apagamento funcional, mas uma
unidade endócrina de grande valor a responder por autêntico campo de
filtragem, onde os dígitos de características perispirituais
(dimensão hiperfísica) fossem transformados e adaptados para as
recepções neuroniais da base cerebral(tálamo e hipotálamo).
Daí as impulsões seriam direcionadas para a região cortical onde a
intelecção se processará, proporcionando condições para o nosso
entendimento intelectual.
É bem possível que as coisas se passem dessa forma, acompanhando
processos sutis, e ainda não definidos, de neurotransmissão.
Assim, a impulsão perispiritual da entidade perispiritual, captada
pelo perispírito do médium, em acoplagem de mútua aceitação,
passaria aos campos físicos da intelecção, após processo de seleção
e autocrítica realizado nos campos perispirituais do médium ou zona
inconsciente.
Este processo seletivo e auto-crítico estaria relacionado ao grau de
moralização do médium, cuja elaboração se faria, compreensivelmente,
sem a análise ou conhecimento da zona consciente.
É como se fora um mecanismo de automatismo inconsciente.
O médium moralizado e ajustado jamais deixará passar a mensagem em
termos grosseiros e agressivos. As retificações serão elaboradas sem
modificações da essência das mensagens, porém demonstrando o
"colorido" do médium.
Não haveria inserções anímicas do próprio médium, mas uma filtragem
de ajuste a demonstrar as características[ individuais que o
receptor possui.
As mais perfeitas e ajustadas mensagens, sempre mostram o "selo" da
máquina onde foram operadas. Com isso, jamais queremos dizer que o
fenômeno autêntico seja combinado com fatores anímicos do médium,
embora existindo mensagens que demonstram tais condições.
Isso vem mostrar a importância do estudo da Doutrina Espírita, por
ter sido quem melhor elaborou as condições de exercício da
mediunidade, como um dos adequados caminhos de evolução psicológica.
Exercício de mediunidade será o constante impulso de aperfeiçoamento
a buscar todas as angulações no bem.
Nessa síntese, tentativa de descrição do fenômeno mediúnico,
conhecido, comumente, como sendo mediunidade de incorporação (termo
inadequado), são imensas e incontáveis as variações que, por sua
vez, estariam atadas aos biótipo psicológicos de cada ser.
Conforme as zonas dos centros corticais(no cérebro) que fossem mais
solicitados, teríamos as variações mediúnicas refletidas nas
conhecidas psicografias, psicofonias (zonas da linguagem),
vidência(centro visuais) e tantas outras modalidades onde as
ativações de locais específicos se mostrem mais contundentes.
Como não existem, no panorama da vida, posições estáticas, a
dinâmica mediúnica avança em constante desenvolvimento, onde o
processo de incorporação em suas variedades - consciente,
semiconsciente e inconsciente - estarão na dependência da
solicitação e dominância do comunicante (entidade espiritual).
Desse modo, o processo mediúnico vai sendo como que, a pouco e
pouco, substituído, sem apagamento definitivo, por mecanismo em que
o próprio médium tem uma atuação mais dominante e efetiva.
Na mediunidade de incorporação, a irradiação da entidade espiritual
que se comunica é bem mais ativa do que a posição do médium, que se
torna mais passiva.
Esta condição pode ser denominada de mediunidade receptiva - o
médium com sua passividade recebe o que lhe é imposto pelo
comunicante.
No segundo caso, onde o médium exerceria, pela sua vontade, uma
espécie de procura sobre as condições dos seus porquês, ele impõe,
mesmo de modo inconsciente, forte carga afetiva-emocional, o que
propiciaria alargamento e ampliação de suas antenas mediúnicas
(campo de irradiação perispiritual).
Com isso, passaria a trafegar nas correntes superiores de
pensamento, buscando idéias mais precisas na definição das suas
inquirições.
Neste caso, teríamos a outra variedade mediúnica que poderíamos
chamar de mediunidade captativa.
A região cerebral mais adequada a tal cometimento seria a dos lobos
frontais, onde centros nervosos específicos devem existir em virtude
de suas apuradas funções, ao lado da ajuda e ativação do hemisfério
cerebral direito; enquanto que, no outro tipo mediúnico(processo
receptivo), as zonas do centro cerebral seriam as mais solicitadas.
No mecanismo receptivo prepondera o processo analítico, no mecanismo
captativo o processo sintético; no receptivo, portanto, o intelecto,
no captativo a intuição.
Hoje temos como assertiva que o lado esquerdo do cérebro, onde
existem os centros de linguagem, é região da programação racional,
dos fatos analíticos que compõem o nosso dia-a-dia da pesquisa
intelectiva.
O lado direito do cérebro estaria ligado aos processos criativos,
imaginativos, aos dons artísticos e todos os componentes da
intuição.
Desse modo, o fator evolutivo que acompanha a vida na sua eterna
busca do Infinito também estaria presente na dinâmica mediúnica,
onde a variedade denominada incorporação, de características
analíticas, iria avançando para uma posição mais abrangente de
totalidade, de síntese, a desembocar nos fatores da intuição.
Será bem lógico de compreender-se que os degraus evolutivos terão de
ser experienciados, e que não se pode ter as antenas da intuição
ativadas e bem ajustadas se não houver passagem pelos degraus das
posições analíticas que, por sua vez, em esgotando os potenciais por
maturação de vivências, despertariam no degrau superior, onde a
intuição mostra uma nova gleba a ser trabalhada e elaborada.
A mediunidade que vem acompanhando o homem, através das conhecidas
civilizações se irá beneficiando dos imensos fatores aquisitivos,
reconhecidos no dia-a-dia pelas pesquisas da ciência e da filosofia.
Esta última, por sua vez, oferece no desfile dos pensamentos as
condições éticas para um estado de religiosidade.
Assim, o homem inquieto dos dias presentes, na busca de seu próprio
estado de religiosidade, não mais atende moldes religiosos
constituídos de aparatos externos, mas, sim, a busca de um Deus na
intimidade de sua própria consciência.
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